Sofia Malta apresenta “Comédia Romântica”
O disco de estreia conta com participações de Mago de Tarso, Martins, Uana e Barro
Relações, frustrações e o processo de autoconhecimento. Comédia Romântica, álbum de estreia de Sofia Malta chegou às plataformas dia 17 de abril e reúne composições desenvolvidas ao longo de quase dois anos. Organizado a partir de um eixo conceitual o disco explora um pop marcado por pinceladas de MPB, trap, afrobeat, brega, pagodão, piseiro e brega funk, enquanto afirma um ponto de consolidação na trajetória da artista pernambucana.
Comédia Romântica é uma expressão que reúne duas dimensões centrais do álbum: o olhar para relações amorosas e a construção de si a partir dessas experiências, especialmente sob a perspectiva de uma mulher. Ao mesmo tempo, reflete uma característica presente na obra e na persona artística de Sofia, que equilibra humor, ironia e intensidade emocional em sua maneira de se mostrar para o mundo.
“Parece que eu tô me apresentando para as pessoas artisticamente agora, com esse trabalho, sabe? Porque o álbum amarra muito conceitualmente, ele diz muito de cara quem que eu sou, o que é que eu tô fazendo e como eu eu pretendo contribuir artisticamente”
Musicalmente, o disco se estrutura majoritariamente no pop, incorporando elementos de diferentes gêneros como MPB, trap, afrobeat, brega, brega romântico, pagodão e piseiro, incluindo uma homenagem a Rita Lee em sua última faixa. “O processo de criação foi diverso, de alguma forma, porque eu venho fazendo ele há muito tempo. Ele tem produtores diferentes, ele tem feats, então eu acho que ele tem muito a minha cara, mas também tem essas contribuições dos produtores”, explica a cantora.
Esse time de produção conta com nomes como Marley no Beat, Barro, Guilherme Assis, Dudu Marotti e Eutimyo, além de participações de artistas ligados à cena pernambucana, como Mago de Tarso, Martins e Uana. As escolhas reforçam a conexão da artista com suas origens e com o repertório cultural do Nordeste, presente tanto na sonoridade quanto no imaginário visual do disco.
Gravado entre diferentes fases pessoais e profissionais, o álbum também reflete um momento de transição. As faixas abordam diferentes estágios das relações, da idealização ao término, e deslocam o foco do outro para o próprio sujeito, propondo uma narrativa que culmina na afirmação do amor próprio. Temas como independência, vulnerabilidade e reconstrução aparecem de forma recorrente, sem perder o tom acessível e, em muitos momentos, bem-humorado.
A liberdade feminina atravessa o disco como um eixo central, ainda que não tenha sido um ponto de partida consciente. “Eu não pensei ‘vou fazer algo que seja feminista’. Aparece na forma como me coloco, como eu leio o mundo e como eu traduzo, porque é o que é”, afirma a artista. Ao longo do disco, Sofia desloca o olhar das relações amorosas para um processo mais amplo de autonomia, abordando o que permanece depois dos términos e como isso contribui para a construção de si. As músicas refletem uma mulher que se reconhece nas próprias contradições, que transita entre vulnerabilidade e força, e que reivindica sua independência na forma de se expressar, de se colocar no mundo e de se relacionar. “Eu quis trazer o lugar de força mesmo da mulher, da independência, da liberdade, seja na gargalhada alta, seja num palavrão que às vezes aparece”, completa Sofia.
Mais do que um conjunto de músicas, Comédia Romântica funciona como uma apresentação formal da artista ao público. Um trabalho que organiza suas referências, aponta direções e estabelece um discurso artístico centrado na experiência, na contradição e na busca por autonomia.
“A arte abre perguntas. Ela abre perguntas mais do que lança respostas. Eu desejo abrir perguntas na cabeça de quem me ouve e talvez uma ponta de esperança também”




